A cidade brilha
Brilha com o brilho de quem a constroi
A cidade rouba não só os brilhos
Rouba seu tempo
Rouba sua familia
Tue suor, teu sorriso
A cidade rouba seus passos
Seus desejos e anseios
Seu presente, seu futuro
Rouba os nordestinos e outréns
Atira a beira da miséria quem a ajuda
Atira ao sucesso quem não a merece
Acorda cedo quem merece descanso
Acorda tarde quem fica de pernas pro ar
A cidade devora o ar
Devora o sono
Devora a liberdade e seus outros pertences
Mesmo devorando-nos ela brilha
E como continua querida
E como continua crescendo
E como continua enchendo-nos de esperaças
E como continua bela
A afanadora, a devoradora
São Paulo.
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